Vulcão


Na paisagem há uma imagem de homem
Refletida na vidraça embaçada
A forma inversa tem nome
No verso perdeu sua graça.

Na paisagemum rosto que fuma
O homem tem gosto de homem
A diferença entre dois é uma
Poeira que voa mais leve.

Na paisagem tudo é evidente
Como homens construindo viaduto
Nas colunas de concreto aparente
O terror de um abalo súbito.

Na paisagem o céu está limpo
Escurece então rapidamente
Quando toca a campainha
A solidão vem de repente.

Na paisagem uma mosca zumbindo
Conduz às dunas da lembrança
Foi na piscina de um clube
Que quase afogou uma criança.

Na paisagem rola uma lenda
Que lagoa é cheia de mágoa
Quem passa estranha a força
Da superfície parada da água.

Na paisagem a gota deságua
Uma barragem muito antiga
Foi a lágrima de um olho
Que viu no fim a ruína.

Na paisagemum livro aberto
Numa estampa do monte Fuji
Quem se remete ao Japão
Num vulcão longe de si.





Nenhum comentário: