mas não é todo dia que morre um pai.
Eu escrevo pra você
que agora sabe que sou escritor.
Entre o índigo e o ultramar
cabe tudo o que Deus quiser.
Eu digo pai pai pai
e sei o que estou dizendo.
*
Me dou o direito de não explicar nada.
Hoje tenho o direito de não me fazer
entender.
De dizer: zezé não sabe o que dizer
zezé é feliz sem saber...
Estou livre, escrevo para as pedras
meu rio perdeu ou encontrou o rumo.
(Se eu pudesse seguir para sempre esse
chamado
que agora escuto tão bem...)
*
Terá meu pai
- não sua glória, nem sua agonia -
me deixado como uma epifania
poder escrever qualquer coisa
sem querer dizer nada a ninguém
– e, caso dissesse, o fizesse
sem pretender ter dito
nada a ninguém?

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