Um Vazio no Vazio
São muitas as formas de entender como a linguagem dá sentido ao vazio da existência, reparem: fui com minha mãe visitar o túmulo do meu pai, uma semana após o seu falecimento. Enquanto procurávamos o jazigo em meio a tantos iguais, não sabia ainda o que sentir, embora levasse comigo uma incômoda ansiedade. Quando o encontramos, fui tomado por essa perplexidade: não sentia nada. Notei também que minha mãe parecia ausente.
Mas eu e ela acabamos por observar que, se a lápide estivesse pronta e o nome e os números do meu pai nela cravados, aí sim, certamente nos emocionaríamos.
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