O Nascimento


O passo do camelo moveu o ar
que moveu o ar
e o vento
varreu o vale do rio absorvido
onde eu jazia distraído
fazia tanto tempo.

Quando a pressão aumentou            
abri os olhos de medo
e em minha volta vi em órbita
seu olho luz, olho egípcio, olho
do início sem fim.

Sua fuça me lançou às corcovas
e era o verbo do movimento
e era vendaval
era espiral
era caos
no qual eu ouvia
um ruído de surdo dodecafônico.

Ao fim da travessia
senti sede
e senti que sentia.

Depois foi o afônico nascimento.




Xilogravura (14x9,5 cm)

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