Riviera
O vinho vem da uva
o tonel onde o primeiro
foi guardado.
O pão vem do trigo
imagino
modelando os primeiros
e à carne .
nessa noite
esta folha de papel ?
O mar é morte
o vinho é sangue
o pão é carne
e este papel , branco
(enquanto escuto o mar )
o que será?
Há também
uma garrafa , um ramo seco
o mar como trilha sonora
e o vento ; como estas palavras
transformam-se em outra coisa ?
Estas perguntas não são vazias
veja: disse que o pão poesia era carne
e fui buscar pão-carne na cozinha .
Encontrei um pão de forma murcho
do tipo que não como
havia dito que era carne , e era .
ao voltar à varanda , comendo o tal pão
ouvindo o mar bater no escuro :
à direita , em cima de uma grelha
apareceu uma carne-carne
venha me comer , poetão
estou aqui pra ser comida .
Uma dupla refeição
servindo ao mesmo tempo
melando minha alma , minha mão
e o papel agora cheio de palavras .
E a poesia ?
O milagre não pode ter sido parcial .
O outro lado do papel
é o vinho
e o vento .
(mesmo com o apartamento cheio )
(mas eu tenho uma mulher )
(que gostam tanto de mim )
e, em mim , na minha dor .
O resto é ilusão
e o mar não canta .
(Como posso ouvir o mar
se só ouço a mim ...?)
está tão bom
A verdade virá cobrar-me
E ouvir o mar .
e a neblina na estrada era miragem
a neblina está dentro de mim .
o caminho sou eu
e, se me distrair ,
puf o caminho .
e ir embora .
No máximo , ao meio dia
-- tenho de ir .
e ir embora .
bebo muito , tomo remédio
o que vai acontecer
Está decidido :
preocupar-me
e o ar ,
e o mar , sereia
e Mavi, queira
e minha filha , bela
e o amor , seja.
e pensar o porquê
E um dia , enfim
(mas um outro mar , como imagino)
e passar uma noite na varanda de um prédio chique
tomando um bom vinho
escrevendo uma poesia na madrugada ...
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| Nanquim e guache (22x27,5 cm) |

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