Vou Embora


Vou embora pra casa
tem alguém me esperando.

Como sou romântico,
vou a .

Frio seco e noite escura
lavam a alma.

Terminando a cerveja
vou embora.

Não sei se hoje fiz
tudo o que podia.

Sinto que sempre aumenta
a minha dívida.

A janela aberta
me convida a pensar.

Deus poderia aparecer
como uma mariposa.

Perguntaria a Ele:
o que é isso que sinto?

Ele me diria:
feche a janela e vá embora.

Amanhã esquecerei
esse dia inútil.

Como posso chamar inútil
um dia igual a outros?

Qualquer dia é matéria-prima
para o esquecimento.

Isso passa da conta,
vou embora.

Vou embora
andar agora é uma necessidade.

Pôr a existência no bolso
e a cara no frio.

Chegar em casa
e regar as criancinhas.

O tempo passando
eu me perdendo...

Conheço essa agonia
de areia movediça.

quero dizer uma coisa
antes de sair.

Pôr a existência no bolso:
como?

Precisaria primeiro tê-la na mão
como fosse uma maçã.

Pra pegar, cheirar, morder
e sentir o gosto.

Depois desenhar sua forma
e admirar sua beleza.

então poderia guardá-la
num bolso vazio.

bebi demais
é melhor fechar a janela.





Um comentário:

anatatit disse...

como captou esse instante? Estava de plantão ou foi nessa caminhada errante!