Oração (Palavra de Ordem)
Pelo amor a Lúcia, Il, Bilê, Ana e Diana
e a ti, mina Lina
além de ti, meu pai.
Pela razão de uma cabeça sã
na alma vaga e vã.
Pelo pulo da rã
no vazio do poço
pelo esforço do moço
nos seios da moça leiteira
– por uma vida inteira.
Pelo que passei, meu Deus
pelo que vou passar.
Pelo que errei, meus eus
por onde vou errar.
Pela nostalgia do bonde
e a elegância da trama
da Dama e o Vagabundo.
Pelo olhar de soslaio
aos lacaios
do apocalipse do mundo.
Pela primeira comunhão – a falsa.
Pelo olho eclipse de uma criança
(em torno de quê?)
na elipse daquela valsa.
Pelo fim da hesitação
e o anúncio da sentença:
trégua!
Pelo livre-arbítrio da palavra
efervescendo
num copo d'água.
Pela ordem, vamos pôr ordem:
primeiro, pelo que sou e não sei
terceiro, pelo que vai e vem
por exemplo: pelo tempo perdido
na procura-cura-cura
e pelo templo encontrado
distraído-ido-ido
– como quem regressasse
e esquecesse
por que tivesse saído.
Por tudo isso, meu Deus
e por muito mais.
Por quem tu fizeste ateu,
teus prediletos;
por quem tu fizeste sofredor,
teus preferidos;
por quem tu fizeste banal,
teus primitivos;
por quem tu fizeste genial,
teus protótipos.
Ademais, pelo fim puro e simples
de segundas intenções
de segundas palavras
de segundas paixões.
Verdade já, Senhor!
Pela verdade do desejo que almeja
pela verdade do real que se alcança
e por tudo isso que me cansa:
sentir como eu sinto
desânimo, esperança.
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| Aquarela (23,5x35 cm) |
Um comentário:
em segundo lugar, por favor, me indique um caminho... vos amo
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